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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
Atos do dia 30: Google trends não sugere sucesso…

Desmobilização parece ser a tônica nas redes sociais

29/05/2019 17h16

Resolvi checar no Google Trends a emergência de pesquisas sobre o dia 30 de Maio, data em que as esquerdas e grupos estudantis convocaram mais uma manifestação em defesa da universidade pública — ou de mais verbas para ela. E os resultados não parecem exatamente alvissareiros para os organizadores.

De acordo com pesquisa no google trends, as buscas por “30 de maio” são muito pequenas comparadas aos dias 15 e 26 do mesmo mês, datas de manifestações estudantis e governistas respectivamente. Confira o gráfico:

Para ficar claro: coluna vermelha é dia 15, dos estudantes; amarelo a bolsonarista, do dia 26; azul é o dia 30. Fiasco anunciado?

A pesquisa é interessante, pois revela também as buscas por estado. Nesse sentido, é possível encontrar uma importante correlação entre os tamanhos dos atos dos dias 15 e 26 e suas respectivas procuras em cada unidade federativa.

Como podemos perceber, os estados em vermelho de fato apresentaram manifestações mais substancias vindas da esquerda, ao passo que aqueles em amarelo foram mais representativos para a direita. Locais como Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Piauí apresentam empate técnico; já Minas Gerais, com ato realmente grandioso, representou importante vitória para o governo.

As pesquisas para o dia 30, porém, não acompanham a tendência de crescente polarização. Mesmo no twitter a movimentação vai em sentido contrário. Na tarde desta quarta-feira, a principal hashtag sobre o assunto, levantada por grupos conservadores, vai na direção contrária da convocação estudantil:

Robôs à parte — e eles existem — a mobilização governista supera ao dos atos no twitter.

É possível que o esvaziamento da pauta, e o aparelhamento dos atos do dia 15 por entidades como UNE e CUT representem um banho de água fria nos jovens que se colocaram nas ruas semanas atrás. E essa pode ser uma péssima notícia para os oposicionistas. Foram eles quem deram um tom independente e legítimo à passeata.

Como Augusto de Franco demonstrou, haviam características de enxameamento e espontaneidade presentes em tal manifestação — uma novidade em tempos de aparelhamento e verticalização política na esquerda. É importante conferir como será o próximo ato. Seu esvaziamento poderá retirar o impacto da primeira passeata e representar uma importante vitória narrativa para o governo federal.