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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
‘Ato pela educação’ não propõe solução; jovens procuram brioches onde não há mais pão

Onde essa molecada pretende arrumar grana pra financiar uma universidade falida?

31/05/2019 10h16

O MBL esteve presente em diversos atos pela educação, na última quinta feira, para entender as reivindicações dos estudantes em meio ao mar de bandeiras partidárias e gritos de “Lula Livre”. Onde fomos reconhecidos, tomamos porrada; foi o caso de Arthur do Val, Gabriel Monteiro e nossos coordenadores em Belém do Pará. Normal.

Infelizmente, porém, a percepção dos manifestantes sobre as causas e possíveis soluções para o problema não se alteraram desde o grande ato de 15 de Maio. A crença de que a precarização da universidade pública se resolverá simplesmente com “mais dinheiro” ( tirado de onde não sabem) permaneceu inalterada; inexiste reflexão sobre o modelo de gestão ultrapassado, os marcos regulatórios para financiamento de pesquisa, a pirâmide de gastos do MEC — onde se gasta mais com universidades do que com escolas — e a dramática situação orçamentária do país.

Clamar por alguns bilhõezinhos a mais para a educação é um luxo desmedido em meio a um ano em que, caso não sejam aprovados os créditos suplementares, veremos calote no INSS e Bolsa Família. Trocando em míudos, gente pobre passará fome e a União colapsará.

As declarações ridículas do ministro Weintraub e seu guarda-chuvas não ajudam, é fato. O comandado de Jair é uma usina de infelicidades, e permanece plantando o caos onde deveria reinar, ao menos enquanto intenção, a serenidade. Como diz o Andreazza, tem método aí. Esquerda na rua não é necessariamente um problema para a lógica caótica do grupo ideológico. Ainda mais uma esquerda que só fala besteira e propõe brioches na falta de pão orçamentário.

A imprensa vê algo de lúdico nos jovens que saíram às ruas. Eu vejo algo de Maria Antonieta. Os anos passam, as canções de protesto mudam, mas o descolamento da realidade dos movimentos estudantis permanece o mesmo. Viva a educação pública e de qualidade!…