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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
As 5 hipóteses para o ‘tsunami’ de Bolsonaro

O que nos aguarda nessa semana?

13/05/2019 20h38

Jair Bolsonaro prometeu uma tsunami para esta semana; não sabíamos se era um maremoto de problemas para si ou para seus adversários. O presidente da república parecia antever algo e, de forma clara — acompanhado de seus já indefectíveis tweets — começou a incentivar uma sorte de….campanha contra o establishment.

Resolvi investigar as pistas dadas em sites da olavosfera, tuitadas de Carluxos e familiares, vídeos de youtubers alinhados, notícias na imprensa e conversas com alguns interlocutores de Brasília.

Eis então, aqui, as 5 hipóteses mais aventadas para o tsunami da semana:

1 – CASO QUEIROZ — Era sabido que as declarações de Flávio Bolsonaro à imprensa, nos últimos dias, davam o tom de movimentações no processo que investiga transações atípicas nas contas do Senador e membros de seu antigo gabinete. Agora, com a quebra do sigilo bancário de Flávio e Queiroz, o tema volta à mídia. Estaria o governo preocupado com desdobramentos das acusações? Existem vazamentos para a imprensa? Teria a Globo informações privilegiadas?

2 – PLEBISCITOS — Que o presidente tem dificuldades para governar, todos sabemos. Sua relação com o congresso é precária — por culpa de ambas as partes, diga-se de passagem — e o clima de desconfiança ajuda alimentar extremismos. Comenta-se a possibilidade do presidente propor, em rede nacional, um plebiscito abordando temas diversos, incluindo o já polêmico debate sobre armas. Muitos blogs ligados ao olavismo trabalham com essa linha. Seria esse o prenúncio de uma ação de bypass no congresso — e um azedamento ainda maior no conturbado affair entre Bolsonaro e Maia.

3 – CERCO INSTITUCIONAL — As hashtags #BolsonaroGuerreiro e #VamosInvadirBrasília vem acompanhadas de imagens das confusões de 2013 e convocações de combate ao STF e ao Congresso. O discurso belicoso de Eduardo Bolsonaro e do Chanceler Ernesto — falando em “guerra” e “luta final” — dão o tom de uma busca por conflito um pouco acima do normal. Corre — sem muito alarde — a convocação de uma manifestação para o dia 26/5 nas redes bolsonaristas. O que pretendem como ato? Qual a pauta de reivindicações?

4 – DEMISSÃO DE SANTOS CRUZ — Essa é uma das teses mais prováveis. De acordo com o Antagonista, o militar estaria com os dias contados, por conta de uma declaração jocosa sobre um golpe contra o presidente. Pesa contra si a demissão de Leticia Catelani, ligada ao grupo olavista, e as pretensões políticas de Carlos Bolsonaro sobre seu cargo. A queda de Santos Cruz pode ensejar uma debandada geral de militares no governo, agravando ainda mais a crise entre os grupos que compõe o governo. Sua queda seria comemorada pelo filósofo da Virgínia.

5 — MP 870 — A MP que reorganizou os ministérios no mandato do capitão pode perder a validade por conta de negociações emperradas no congresso. Para Flávio Bolsonaro, ela vem sendo a verdadeira razão para a hipótese tsunami aventada pelo presidente. Dentre as modificações feitas pelos parlamentares inclui-se a retirada do COAF de Sérgio Moro, tema polêmico perante a opinião pública, numa demonstração de força do centrão. A derrota do governo pode representar o início de um recrudescimento de sua relação com o congresso.

Existem algumas outras teses minoritárias circulando pelas redes. Além delas, a hipótese de um balão de ensaio não deve ser descartada — modelo similar é utilizado por Donald Trump para pautar o debate da imprensa durante seu governo. Tudo pode acontecer — inclusive nada.

O fato é que nunca o governo e seus aliados subiram o tom contra as instituições de forma tão clara. Aos amigos preocupados com a reforma e a estabilidade democrática, é momento de se preocupar.