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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
A quem interessa matar Fernando Holiday?

Vencedor na reforma municipal da previdência, na manhã desta quarta-feira (26), o vereador Fernando Holiday não poderia

26/12/2018 21h07

Vencedor na reforma municipal da previdência, na manhã desta quarta-feira (26), o vereador Fernando Holiday não poderia prever desfecho mais terrível: o jovem ativista quase foi alvejado por um tiro, conforme atestado pela Polícia Científica, após figurar em sua janela durante ato de sindicalistas. A tentativa de assassinato — e o caso não merece qualificação diferente — denota o nível crítico de incivilidade adotado pelo establishment em sua luta contra o MBL.

Necessitamos, antes de tudo, compreender o contexto geral da agressão: Fernando Holiday atravessou, ao longo das últimas semanas, uma conturbada sequência de eventos que abalaram o funcionamento da elite política paulistana. Primeiro, desafiou o arranjo PSDB-PT-Centrão que elegeu Eduardo Tuma presidente da Câmara. Sua candidatura simbólica — que contou apenas com seu voto — escancarou para a população da cidade as curiosas práticas de cooptação que permitem que tucanos e petistas dividam cargos no legislativo da capital. Vencedor entre os políticos, Tuma foi ao Pânico na Jovem Pan defender os privilégios seus e de seus colegas; terminou por transformar sua vitória política em derrota moral. Holiday se indispôs com o legislativo, mas venceu com a população. A aliança entre situação e oposição estava escancarada.

Nas semanas seguintes a polêmica continuou. Fernando relatou a reforma da previdência municipal, para desespero das corporações. E conduziu, paralelamente, a luta pelo Escola Sem Partido. Nos dois temas, exerceu papel de liderança; ganhava ataques frontais de sindicatos e grupos de pressão de todo o funcionalismo, bem como expunha o mafioso equilíbrio político da Câmara Municipal. Aprovou seu relatório e, com a ajuda da militância do MBL, pressionou os demais vereadores para obter maioria no ESP. Neste, não foi exitoso; seus colegas faltaram desavergonhadamente à sessão, não permitindo quórum para a vitória de Fernando. Mas na questão da previdência — fundamental para as contas públicas de São Paulo — não haveria como procrastinar. O assunto seria deliberado ainda este ano.

As sessões foram tensas; Fernando recebia xingamentos agressivos das galerias, enquanto era atacado fisicamente pelos colegas Toninho Vespoli (PSOL) e Antônio Donato (PT). Sorte diferente não tiveram os membros do MBL ali presentes, agredidos impunemente por sindicalistas. Foram cenas deprimentes, devidamente registradas em nossas redes sociais, atestando a distância entre o discurso democrático e a prática fascista da esquerda brasileira.

Mas nada — absolutamente nada! — se compara à fria tentativa de assassinar um jovem de 22 anos no exercício de seu mandato. O tiro disparado poderia ter acertado Holiday ou qualquer um de seus funcionários. É uma demonstração clara do espírito belicoso e radical de seus antagonistas, num momento de profundas mudanças no sistema político brasileiro. A esquerda e o patrimonialismo, enlaçados em romance promíscuo, não aceitam recuar um passo sequer na defesa de seus privilégios. É questão de vida ou morte para seu parasitismo.

É impossível dissociar o atentado contra sua vida da conduta adotada por Fernando nas últimas semanas. Sua postura independente serviu como guilhotina moral para o eleitorado paulistano, declarando a morte política de muitos de seus colegas. O rígido padrão de suas práticas de governança, somado à contundência de seu discurso, permitem que o jovem exerça papel privilegiado de tribuno e fiscal da população em meio a um legislativo tomado de máfias e esquemas de cooptação. A vida de Fernando e de qualquer parlamentar que ouse desafiar este sistema está em risco. Não devem restar dúvidas quanto a isto!

Aguardamos o desenrolar das investigações e torcemos pelo rápido esclarecimento da autoria do atentado. Conforme demonstrei no artigo sobre o caso Flávio Bolsonaro, cabe à direita o papel de fiscalizador disruptivo, que pratica uma boa governança em seu gabinete e é implacável em seu trabalho parlamentar. Nenhum nome eleito em 2016 exerce esse papel com a desenvoltura de Fernando Holiday — e incluo aí os nomes do partido Novo e da família Bolsonaro. Que ele continue seu trabalho com o brilhantismo de sempre, garantindo ao movimento de direita a liderança moral no processo político.