Escritor de meia dúzia de artigos, comentarista eventual do MBLNews.
A maior irresponsabilidade na matéria do Fantástico

A quebra do protocolo de segurança

11/03/2020 19h46

A matéria apresentada pelo programa global “Fantástico” foi discutida à exaustão nas redes sociais até as retratações no Jornal Nacional.

Creio que um fato passou despercebido.

Ao ouvir a declaração do jornalismo da Globo na voz de William Bonner, um termo me chamou muito atenção e não entendi bem o significado.

O termo foi: protocolo de segurança. Não foi esclarecido do que se tratava. Por ser uma declaração pública, não sou obrigado a conhecer um termo técnico.

A expressão me pareceu lacônica. Possivelmente uma questão que não poderia deixar de constar, mas que seu significado tinha o potencial de revelar algo a mais. Talvez perigoso.

Por falta de maiores detalhes, me deu o direito de interpretação, que aponta para um problema menos de clamor público e mais de risco à segurança de pessoas.

Explico. A omissão dos motivos da condenação dos personagens da matéria tem relevância quando há risco à vida e integridade física e a vida do preso.

A vida no cárcere tem regras que todos conhecem, uma delas é a violência contra presos que praticam crimes sexuais ou contra menores. O isolamento de Suzi é um reflexo disso.

Sabendo disso, o protocolo de segurança para retratação, não foi o protocolo para não veicular a imagem de uma preso para exposição pública, especialmente distorcendo as razões do isolamento.

Qualquer protocolo indicaria a retirada do preso da matéria, principalmente quando não se adequa ao próprio conteúdo.

Ao se tornar público o crime hediondo, com grande repercussão, o jornalismo pôs a vida do preso em extremo risco à vida e integridade.

Justamente o que a matéria queria atenuar.

Como jornalismo, a irresponsabilidade beira a criminalidade. Como um programa que defende a pauta da diversidade, se tornou, na verdade, um grande mal em busca de audiência.

O desconforto do apresentador do Jornal Nacional pode ser explicado pelo medo.

Espero que o medo não seja a explicação para tentar se eximir de eventual responsabilidade e que tenha vindo da consciência e não do departamento jurídico da emissora.

Não pode deixar de ser dito também que as autoridade publicas chamadas de imprudentes, se conscientizem e tomem medidas para que nenhuma violência seja praticada.

O jornalismo e as autoridades teriam os sangues em suas mãos. Não importa de quem seja.

Houve um erro de narrativa, mas houve um maior contra a segurança do preso.