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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
A culpa é (sempre) do MBL: como Hacker usou Kim pra chegar na Lava Jato

Como o criminoso de Araraquara usou o celular do nosso japa para tentar destruir a Lava Jato

26/07/2019 21h17

O MBL está destinado a ser o grupo mais odiado do Brasil. Não basta adotar postura independente quando todos querem rastejar para o governo; não basta ter peitado a esquerda quando era moda pagar de progressista: temos que aparecer no meio da treta mesmo quando não temos nada a ver com o assunto.

A novidade do dia é que o celular de Kim Kataguiri, nosso adorável japonês, foi utilizado pelo Hacker de Araraquara como vetor para chegar aos celulares dos procuradores da operação Lava Jato. Sim, amigos, é isso que você está imaginando: se existe ‘Vaza Jato’, é por que passaram pelo celular do japa. De acordo com o Globo:

Walter Delgatti relatou aos policiais federais que começou a obter os telefones de autoridades a partir do acesso ao celular do promotor de Justiça Marcel Zanin Bombardi, de Araraquara (SP), que havia oferecido denúncia contra ele por tráfico de drogas.

Por meio da agenda da conta do Telegram do promotor, disse o hacker, ele teve acesso ao número de telefone de um procurador da República, que ele afirmou não lembrar o nome, que participava de um grupo de mensagens chamado “Valoriza MPF”.

Ainda de acordo com o Delgatti, com base na agenda deste procurador da República, ele conseguiu acesso ao número de telefone do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) – um dos líderes do Movimento Brasil Livre, que ganhou notoriedade no país ao atuar nas manifestações que pediram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O hacker relatou que, com base na agenda do Telegram de Kim Kataguiri, obteve o número de celular do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A partir do acesso ao celular do magistrado, contou Delgatti, conseguiu o número de telefone do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Segundo ele, com a agenda de Janot, conseguiu os telefones de procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato, entre os quais Deltan Dallagnol, Orlando Martello Júnior e Januário Paludo. Walter Delgatti afirmou que todos os acessos às contas das autoridades ocorreram entre março e maio deste ano.’

Voltando. Já havíamos anunciado, ainda em março, que fomos alvo do uma invasão — inicialmente detectada no celular do meu irmão, Alexandre Santos. Fernando Holiday e Arthur do Val também foram abordados pelo Hacker, que não obteve sucesso no ingresso aos seus respectivos Telegrams.

Checamos todos os celulares. Ninguém do núcleo central do MBL, além de Alexandre, percebeu invasão nos aplicativos de conversa. Até por isso, nos espantou que Kim tenha sido invadido: fomos muito cuidadosos em checar todos os ‘Logs’ em nossos aparelhos.

Fizemos Boletim de Ocorrência, buscamos informações com especialistas, checamos com a imprensa. Parecia um caso isolado, em que mais um inimigo do MBL aprontava contra o movimento. Já estávamos acostumados.

Tudo mudou, porém, com a notícia da invasão ao celular de Sérgio Moro, ainda em maio — e pouco antes do surgimento da ‘Vaza Jato’. Com a notícia dessa invasão, descobrimos que outros tantos foram vítimas do ataque.

Danilo Gentili era um deles. Jornalistas que faziam cobertura da operação também detectaram o mesmo procedimento suspeito — das ligações repetidas até o pedido de senha para o aplicativo de conversas. Havia um padrão.

Walter Delgatti afirmou que todos os acessos às contas das autoridades ocorreram entre março e maio deste ano.’

O que destoava, porém, eram as datas. Gentili e a turma da Lava Jato foram invadidos muito depois do MBL. Coisa de 2 meses de diferença. E quando a ‘Vaza Jato’ surgiu, veio o susto: realmente rolou uma invasão geral de Telegram. Tentamos contato com a turma da Lava Jato, com outros invadidos, mas houve um silêncio; ninguém se pronunciava sobre as investigações da PF.

Quando estudamos o procedimento, percebemos que todas as teorias apresentadas nas redes — desde um suposto “X9” da Lava Jato à ridícula tese do ‘pavão misterioso’ — eram mentiras para inglês ver. Obviamente, a invasão que sofremos também vitimou os integrantes da Lava Jato. Era questão de tempo até as coisas fazerem sentido.

O depoimento do hacker serviu para elucidar o caminho percorrido. Ao afirmar que obteve os contatos dos procuradores através de Rodrigo Janot — cujo contato foi obtido através de Alexandre de Morais, cujo telefone estava na lista de Kim — percebe-se a temporalidade do processo. As invasões ao MBL só poderiam ter ocorrido antes das demais.

Como vocês viram, Walter afirmou que as invasões ocorreram entre março e maio deste ano. E fechou o circuito. De fato, o invasor de celulares passou pelo MBL — este pacato e incauto movimento odiado por todos — até chegar aos varonis procuradores da Força Tarefa.

O fato em si é importante, pois demonstra que o hacker, ainda que trabalhando sozinho, foi metódico e obstinado. Seguindo a lógica dos ‘6 graus de separação‘ , foi puxando o novelo de lã que ligava Kim Kataguiri até Dilma Rousseff — hackeando aqueles que lhe interessavam no caminho. O resultado de sua ‘pesquisa’ foi parar nas mãos do Intercept, que deu início à campanha de vazamentos. E o resto, como vocês já sabem, é história.