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Formado na Faculdade de Direito do Recife. Perdido entre a poesia de Manuel Bandeira e a de Marília Mendonça. Só bebo em copo americano.
5 DIPLOMATAS QUE VOCÊ CONHECE

, mas talvez não como diplomatas

18/07/2019 09h03

Em “Mussum armando uma pindureta”, uma das maiores obras do audiovisual brasileiro desde a morte de Villa-Lobos, Didi Mocó ironiza o supracitado Mussum e Tião Macalé chamando-os de “diplomatas”, “embaixadores”.

O chiste consiste em contrapor a grosseria e a rudeza dos malandros dos morros cariocas à polidez e catilogência próprias aos cargos e encargos da diplomacia.

Quem assistiu Os Trapalhões, portanto, sabe que para exercer cargos de representação internacional é extremamente desejável que o sujeito tenha um certo grau de erudição e temperança que o distingam na sociedade.

O nosso querido Eduardo Bolsonaro, a.k.a. (“also known as” ou, para não complicar, “vulgo”) 03, filho do nosso grande estadista, nosso Dom Sebastião em charme praieiro, Jair Bolsonaro, tem várias qualidades.

É um rapaz bonito, alto, esbelto, com um (dizem à boca miúda) belo repertório de conquistas amorosas. De fato, um ótimo exemplo da juventude dourada mediocrata carioca.

Mas, convenhamos, não é um ser de muitas luzes e de têmpera estóica.

Aliás, a ilustração, a erudição e o fino trato não parecem ser exatamente um traço distintivo da primeira família.

Assim sendo, para tentar ilustrar a distância que, em meu parco entendimento, separa o nosso amado 03 da bagagem (intelectual, calma) própria a um diplomata, resolvi listar aqui alguns diplomatas famosos que vocês conhecem, mas talvez não conheçam como diplomatas.

1 – VINICIUS DE MORAES

Sim, poeta, dramaturgo, jornalista, escritor, cantor, compositor, alcoolatra, amante, fumante inveterado, o autor de Garota de Ipanema era também diplomata.

2 – GUIMARÃES ROSA

O autor de Grande Sertão: Veredas, um dos maiores escritores do Brasil (na minha humilde opinião, o mais diferenciado deles) era, além de médico, também diplomata.

3 – JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Esse recifense maravilhoso, ganhador do prêmio Camões e autor de Morte e Vida Severina, era também diplomata.

4 – JOSÉ GUILHERME MERQUIOR

Agora o coração bate mais forte. Desse aí, eu nem vou falar. Se você não conhece Merquior, vai correndo atrás de conhecer, porque ninguém menos que Levi-Strauss o definiu como “um dos espíritos mais vivos e mais bem informados de nosso tempo”.

Além disso, é fundamental pra quem pretende ser de direita no Brasil.

5 – JOAQUIM NABUCO

Por fim, mas absolutamente não menos importante, Joaquim Nabuco que faleceu ao ano de 1910, em Washington DC, como Embaixador Brasileiro nos Estados Unidos.

Recifense, como João Cabral, Nabuco foi, além de diplomata, jurista, político, escritor, historiador, jornalista e é, sem dúvidas, uma figura central na formação do Brasil.

MENÇÃO EXTREMAMENTE HONROSA – RUY BARBOSA

Ruy Barbosa, o Águia de Haia, talvez tenha sido o mais famoso diplomata do Brasil pela perspectiva do mundo e da história.

Jurista, político, tradutor, escritor, Ruy Barbosa é figura central na cultura brasileira.

E ainda por cima, carregava (a sério) parte da carga genética que deu origem a Marina Ruy Barbosa.