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Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL - Movimento Brasil Livre.
3 coisas que os estudantes poderiam reivindicar ao invés de “mais verba”

E se a molecada que saiu às ruas abandonasse o “Lula Livre”?

31/05/2019 11h56

Conforme comentei na última postagem, a pauta de reivindicações dos atos de 30 de Maio permanece a mesma: mais dinheiro para a educação superior, tirada não sei de onde, sem qualquer contrapartida em termos de gestão ou resultados. Como não estamos em 1968, dá pra cravar que a demanda é uma merda.

Mas já que estamos de bom-humor, por que não acreditar num mundo melhor em que militantes de esquerda pedem coisas coerentes e eficazes? E se a molecada que saiu às ruas abandonasse o “Lula Livre” e clamasse por uma educação livre? Nesse sentido, vai aqui a lista de 3 coisas que os estudantes poderiam reivindicar ao invés de mais verba:

1 – REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Meio óbvio, não? Só no orçamento deste ano, os gastos com previdência ultrapassam a casa de R$700 bilhões de reais. E só aumentam. Em um momento de retração do PIB, é receita para desastre. É absolutamente inimaginável atentar para a questão da universidade pública — um luxo pago pelo contribuinte — quando as contas públicas vão para o vinagre em desabalada carreira.

A reforma de Guedes estipula uma economia de 1.3 trilhões em dez anos. Quanto disso não poderia ser reinvestido em educação num cenário de longo prazo?

2 – MUDANÇA NO MODELO DE GESTÃO

Chega a ser ridículo atestar isso, mas em todas as IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) gasta-se no mínimo 90% de seus orçamentos com folhas de pagamento. É um modelo de gestão absolutamente inviável. A falta de recursos para infra-estrutura e manutenção redunda em absurdos como o incêndio no museu nacional — administrado pela UFRJ — e o estado de abandono de prédios e equipamentos.

As razões são muitas, a começar pela hiper-sindicalização dos funcionários e do corpo docente, pelos regimes próprios de previdência e ausência de metas e profissionalismo no cumprimento dos orçamentos. Reitores vivem de pires na mão pedindo mais dinheiro para o governo federal atender seu mundo de faz de contas; estudantes acompanham a farra, cegos pela ideologia burra que lhes conduz.

Modelos de concessão e parcerias público privadas deverão ser discutidos urgentemente para alterar o quadro de falência administrativa das universidades federais. A discussão deve deixar de ser tabu. A fórmula atual, além de impraticável, é imoral.

3 – MENSALIDADES NO ENSINO SUPERIOR

Outro tabú que deve ser quebrado é a cobrança de mensalidades para estudantes que possam pagar por seus cursos. Chega a ser insano imaginar que famílias com renda superior a R$10 mil reais não possam contribuir de alguma maneira com o ensino de seus filhos — contando ainda que estes não trabalhem! –, seja via financiamento estudantil privado, seja via comprometimento de seus orçamentos.

É assim que opera boa parte das famílias mais pobres, que arcam com o ensino superior de seus filhos em instituições privadas — e inferiores — sem questionar a injustiça a que estão submetidas. Cobrar mensalidades de quem pode pagar é um pleito com efeitos orçamentários e morais para toda a sociedade.

Pois bem, meus amigos. São três pleitos simples e óbvios que atentam para a imoralidade e a insustentabilidade do modelo atual. Outras tantas medidas deverão ser trazidas à baila no momento certo, como parcerias com o setor privado para pesquisas, venda de ativos, indicadores e metas claros de desempenho, etc.

Mas o principal está aqui: se quisermos iniciar o debate sobre a universidade pública no país, é impossível ignorar seus modelos de gestão e financiamento. Permanecer pedindo “mais dinheiro”, como faz o movimento estudantil desde tempos imemoriais, é bater na mesma tecla sem efeito prático algum. É sinal de burrice e má-fé como instrumento de cooptação política.