Blog do Renan Santos
Estudante interrompido, músico frustrado, cozinheiro irregular e fundador (e membro mais controverso) do MBL.
'Antifascistas' pretendem destruir estátuas em São Paulo
O alvo, novamente, é o já surrado Borba Gato, explorador paulista do Século XVIII

Começou. Como de costume, a cada intifada temática convocada por Antifas, Black Blocs ou coisas do gênero, estátuas representando figuras importantes da história brasileira - como os bandeirantes, em São Paulo - voltam a ser alvo da fúria revisionista dos jacobinos de preto.

O alvo, novamente, é o já surrado Borba Gato, explorador paulista do Século XVIII que gastou boa parte de sua vida procurando ouro e escravizando índios. Era um homem de seu tempo - com os defeitos e qualidades usuais para o contexto sócio-cultural em que viveu.

Sua estátua, localizada no bairro de Santo Amaro - zona sul de São Paulo - , tornou-se alvo planos de ação de militantes de esquerda que pretendem imitar aqui ações de depredação que vem ocorrendo na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Um dos principais entusiastas da causa, o influencer "Mussum Alive" deu a letra em seu twitter:

O mesmo influenciador publicou meme dando o tom da sua inspiração nos atos de Bristol, que também derrubaram estátuas:

A resposta da militância é óbvia. Munidos do sentimento de manada ( logo eles, que criticam o gado...), os aguerridos guerreiros da causa anti-fascista encontram em símbolos vivos da nossa história - com suas chagas, acertos e erros - o palco perfeito para sua performance viral.

Não há nada de concreto; destrói-se uma estátua, posa-se para a foto, retorna-se para casa. É a forma de participar do entretenimento político mundial, sorte de modismo do momento junto com as lives de sertanejo e discursos confusos do Bolsonaro.

A ideia - estúpida e bárbara - de reescrever o passado com base em uma moral específica do presente é de todo ridícula. Você não vai alterar a história post-facto. Ela existe - e dela somos consequência. Negar que a humanidade foi construída com base em conquista, violência e injustiça é negar, essencialmente, que a humanidade existiu. Com a história aprendemos, jamais negamos.

Mais: pressupor que o futuro não será, em grande medida, construído mediante os mesmos paradigmas é também miopia. E imaginar que eles mesmos não serão alvo de revisionismo futuro, que buscará enquadrá-los em sua nova moral reinante, também. Vivemos uma sociedade que consome, de sorriso aberto, produtos manufaturados em ditaduras orwellianas como a chinesa, com sua polícia do pensamento e seus presos políticos. Somos todos lenientes com esta nova forma de escravagismo? Deveremos ser enquadrados de que maneira nos anos que virão?

Independente desta reflexão, vale acompanhar a thread do historiador Laurentino Gomes, em seu twitter. O escritor é preciso em seus argumentos contrários ao vandalismo da esquerda beyoncé:

continua em outra matéria